Não tenho tudo que amo, mas... Foda-se.

O BOIMATE E OS PATOS
Não acredite em tudo o que lê
[29/08/2004]


Em 27 de abril de 1983 a revista “Veja” publicou uma matéria sobre o “boimate”, uma fusão genética entre o reino animal e o vegetal, boi e tomate. Fruto de pesquisas genéticas alemãs, a nova descoberta revolucionaria a indústria de alimentos, oferecendo um produto que uniria molho de tomate e bife em uma única fruta. Na reportagem, até um biólogo da USP dá o seu parecer científico.

Na realidade, esta matéria na revista “Veja” é, provavelmente, a maior “barriga” que já ocorreu na imprensa brasileira. No jargão jornalístico “barriga” denomina a publicação de uma notícia falsa. Neste caso, a fonte da notícia foi o jornal inglês New Science, publicada na dia 1º de Abril. Uma tradição da imprensa inglesa é publicar notícias falsas neste dia. Só que o pessoal da “Veja” foi na onda, que foi descoberta pelo jornal “Estado de São Paulo”. Como a revista, em sua típica arrogância, não publicou um desmentido, o jornal publicou no dia 6 de junho. A revista virou motivo de piada entre leitores e nas redações da concorrência, e só em julho se dignou a publicar uma nota admitindo o engano.

Eventualmente ocorrem “barrigas” em vários veículos de imprensa, e a principal causa é que o autor da matéria não tem o cuidado de conferir se a fonte é confiável ou de consultar outras fontes. Em tempos de Internet isso já se tornou freqüente em sites de notícias. Quem já não recebeu um e-mail contendo alguma informação bombástica e logo em seguida não tomou aquilo como verdadeiro e repassou para todos os seus contatos?

Pois é. Às vezes isso ocorre também com jornalistas. E hoje em dia temos a maior fábrica de “barrigas” estabelecida na Eslovênia. É o site humorístico “Cocadaboa”, que em de suas seções publica notícias completamente falsas, mas com um tom de verossimilhança que facilmente podem se passar por verdadeiras. Recentemente alguns renomados profissionais da imprensa caíram como patos e repetiram algumas destas notícias como sendo verídicas. O senhor Cláudio Humberto se tornou um pato ao publicar uma nota indignada em seu site sobre a notícia de que a América On-line estava proibindo o acesso de brasileiros devido aquela polêmica da Reciprocidade. Outro que recentemente caiu na conversa foi Ricardo Noblat (http://noblat.blig.ig.com.br/) que comentou a notícia de que o programa humorístico americano “Saturday Night Live” teria sacaneado com Lula sobre seus supostos hábitos etílicos. Este admitiu o erro em seu blog e em entrevista no Jô Soares.

E falando em Jô Soares, o mesmo caiu esta semana na dança do patinho. Como de praxe, antes das entrevistas, ele comenta aquelas notícias malucas e sem graça. E uma delas seria que o metrô de Nova York estaria vendendo o direito de batizar as suas estações. Mais uma notícia falsa produzida diretamente na Eslovênia.

Se a coisa continuar nesse ritmo, em pouco tempo eles podem desbancar o boimate da Veja. Já pensou se eles emplacam uma capa de “Istoé” ou “Veja”?

Em tempo: o site estaria hospedado na Eslovênia para proteger os autores de qualquer ação legal de alguma figura pública que se sentisse ofendida com o humor dos caras, como já fez o apresentador desempregado Marcos Mion. Mas como a fonte desta informação é o próprio site, seria bom confirmar a mesma antes de toma-la como verdade...

Ah, e o site é o

http://www.cocadaboa.com

Sobre o boimate:

http://www.jornalismocientifico.com.br/artigojornacientificowbuenoboimate.htm

Sobre o Autor :.

Não é exatamente um profissional da área, pois quando buscava um estágio de engenharia elétrica na área de telecomunicações, empurraram-lhe um estagio na área de comunicações, e ele veio parar por aqui. Dividindo suas crônicas mal revisadas com outras fontes de renda e os cálculos numéricos do curso de telecomunicações, ele tem um sério problema de prazo. E quando aparece com seus textos, vem logo com um bocado, e cada um mais longo que o outro, para desespero do revisor. E ao vir discutir problemas de prazo, é o único na redação que consegue argumentar em pé de igualdade com o editor-chefe, utilizando termos já famosos no nosso meio, como “vai dar meia hora de cu”, “vai melar um pau de merda”, “enfia seu emprego no rabo”, e por aí vai. Antes ele trabalhava em casa, mas agora ele prefere vir à redação, pois, segundo dizem as más línguas, a esposa o pegou escrevendo algo que não devia...